13 de outubro de 2008

É um Problema de Solvência, Não de Liquidez

Tradução do artigo "It's a solvency problem, not a liquidity problem" de Mark Shuttleworth publica em 9/10/08. Acrescentou-se as imagens.

O termo "contração do crédito" é uma maquiagem para a atual crise. Ela sugere que o problema é meramente de confiança, que a calma irá retornar se a liquidez for introduzida no sistema.

Minha visão, entretanto, é que questão real é de solvência. Esta é a falência sistêmica de 2008.

Hipotecas são só o começo
Considerando taxas reais de juros, com expectativas reais de uma taxa de retorno razoável, muitos dos acordos feitos desde 2003 simplesmente não fazem sentido econômico. Até agora o foco tem sido apenas uma peça do problema - empréstimos hipotecários ruins -, mas creio que veremos mais áreas do problema se expandindo rapidamente para incluir contratos de capital privado com base em dinheiro gratuito realizados entre 2003 e 2007. Lembro-me de uma afirmação estapafúrdia de um gênio do capital privado de que "todo mundo está correndo para o primeiro negócio de 100 bilhões". Bem, as galinhas estão voltando pra casa para ficar. Espere um avalanche de anúncios de reveses, reestruturações e falências, empresas que foram compradas com dinheiro emprestado e que não conseguirão adimplir seus débitos.

Taxas de juros mais baixas irão apenas aliviar o sintomas
A drástica redução das taxas de juros irão ajudar a diminuir o ritmo com que teremos que lidar com as falências, mas não mudarão a dura realidade da situação, que correm o risco real de tornar as coisas piores por encorajar outra fase de especulação baseada no dinheiro gratuito. Estamos novamente numa situação em que as taxas de desconto dos EUA são efetivamente uma taxa de juros reais negativos, como um presente aos bancos, mas ficar lá por qualquer período de tempo nos coloca novamente num estado de dependência.

Intervenções devem visar capitalização e alavancagem dos bancos, não liquidez
A última ação do Reino Unido de comprar participações de capital é ainda a melhor resposta, eu acredito. Ela melhora drasticamente a capitalização dessas instituições, e mantém o cimo das ações nas mãos do contribuinte (que estão levando a dor e o financiamento do socorro, ao que parece preservando o direito de controle) e ela dilui os atuais acionistas que permitiram que suas instituições se tornassem insolventes. Pessoalmente, eu estaria inclinado a fazer mais do que diluir os acionistas.
Não vejo os atuais 700 bilhões fazerem alguma diferença real para os bancos americanos. Eu esperava que os EUA anunciassem em breve um acordo semelhante ao do Reino Unido, mas os números teriam de ser maiores, assustadoramente maiores. Muito melhor para os EUA fazerem essa jogada que esperar pelos fundos soberanos asiáticos e do Médio-oriental avançarem para dentro da quebradeira.

Depositantes de bancos sob regulação devem ser protegidos pelos governos executores da regulação. Os acionistas não tanto. Detentores de títulos ... talvez.
Acho que os irlandeses e de outros países que tenham garantidos os depósitos dos utilizadores individuais tenham feito a coisa certa. Governos acionam autoridades reguladoras, e bancos anunciam que sob regulação. As pessoas que nomeiam os reguladores têm de defender a abordagem por eles tomadas - eles devem oferecer uma garantia de que suportarão seu produto, e quando isso falhar, eles irão suportar as pessoas que confiaram neles. Depositantes nos bancos do Reino Unido não deveriam se preocupar que o banco possa faltar - esse tipo de anomalia deve, no máximo, afetar a taxa de juros que recebem, não a segurança de seu capital social. Acionistas nesses bancos, no entanto, deveriam estar muito preocupados, de fato. Há uma questão interessante sobre detentores de títulos e depositantes institucionais. De um lado são investidores sofisticados e devem ser responsáveis por suas obrigações. Por outro, estas são as próprias pessoas que podem causar maciço saques nos fundos dos papeis bancários de T-Bills, e portanto é válido mantê-los tranqüilos. Eu os agruparia com os depositantes também.

Compensação dos executivos deve ser estruturada, não fixada
Tem havido uma enorme discussão sobre a limitação aos salários dos executivos. Isso é apenas um convite para exércitos de consultores e advogados e contadores para contornar qualquer limite salarial posto em prática. E francamente, estou pasmado em entender como políticos, que constantemente votam nos próprios salários e maiores gastos, estão qualificados para definir os salários dos executivos dos bancos. Eles efetivamente ESTAVAM encarregados da compensação salarial executiva da Fannie e da Freddie, e que não eram sucesso estelar.
O que eu diria, porém, é que na instituição financeira os ganhos deveriam ser reconhecidos por sete anos apenas, ao longo de um período, e os bônus baseados em ganhos devem ser conservados em depósito até o prazo de sete anos. Imagine se pudéssemos explorar agora os bônus para o banco de investimento dos trabalhadores ao longo dos últimos sete anos, a fim de fortalecer os balanços desses bancos. Isso incluiria as gratificações pagas ao Sr. Fuld, o sr. Greenberg, e o Sr. Greenspan. Alguém se importaria de mostrar os números? Acho que seria importante.

Estou nervoso
A grande questão que estou me perguntando é quais dos lados não possuem minas terrestres? Minha equipe e eu estamos felizes de ter saído de muitos mercados antes da atual onda de medo. Nós entramos em alguns problemas, mas em grande parte nos esquivamos das bolas de canhão. Até aí, tudo bem. Mas o que é que significa ter dinheiro no banco, quando eles próprios não têm? O que significa ter dólares, quando o dólar se desvalorizou de tal modo que ficaria próximo ao Banco Central do Zimbábue? Estes são tempos muito perigosos, e ninguém poderia pensar de outra forma.

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