11 de março de 2015

Crônicas da Meia-Noite

Era alta noite quando acordei assustado com voz de gente conversando. Dei um salto da cama e corri pra porta para ver quem estava na minha sala. Mas para meu desespero a porta estava trancada. Tentei abrir seguidas vezes, cheguei a machucar o dedo. Nesse meio tempo minha esposa acordou assustada: “O que foi? O que foi?” Eu não respondi nada, meu coração estava disparado e eu não tinha acordado direito. Numa rapidez sobre-humana peguei a chave, destranquei a porta e abri ela com força. Então vi dois homens quase em frente à minha porta. Eles pararam de conversar e olharam perplexos para mim. Foi então que me dei conta: aquilo não era minha casa!

Eu não lembrava exatamente onde estava, mas logo percebi que eu tinha dado mancada. Com a cara amassada e fazendo careta por causa da luz, disse a eles “me perdoem” — notem a formalidade vocabular e a conjugação verbal precisa (de um maníaco esquisitão). Um dos homens me perguntou gentilmente “você achou que estava em outro lugar, né?” — era exatamente como ele disse, mas o meu sistema mental ainda estava terminando a inicialização, eu não estava entendendo com clareza a situação, por isso respondi “é...” enquanto gesticulava alguma coisa confusa. Em seguida, sob o efeito da vergonha e da adrenalina, rapidamente fechei a porta, tranquei e voltei pra cama.

Passados alguns instantes finalmente entendi tudo o que tinha ocorrido: eu estava no quarto do hotel onde eu mesmo havia me hospedado e aqueles homens eram apenas hóspedes no corredor. Comecei a rir sozinho de mim mesmo.


Só consegui voltar a dormir umas três horas depois.

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