19 de agosto de 2016

Campo Verde, 19 de agosto de 2016



Mestre mui amado,


Escrevo de uma terra longínqua, bem distante da Galileia onde você pisou. Ainda assim tenho ouvido por estas bandas incontáveis notícias sobre seus feitos. Muitos têm por você uma consideração sem igual. E por tudo que vi, escutei e li a seu respeito, desejei muito conhecer você face a face. Porém no ano em que nasci, você há muito havia partido para a casa de seu Pai. Nem mesmo pude encontrar os que com você caminharam, que viram você de pertinho, pois já haviam entrado no descanso eterno.

Os seus aprendizes, entretanto, legaram uma mensagem dizendo que você havia dado instruções expressas para que todos guardássemos as suas palavras até que você retornasse. E tenho tentado fazê-lo, mas por vezes fraquejado.

Rabi! Quem dera você estivesse ainda aqui. Tudo seria diferente. Nada mais importaria a não ser seguir você, ouvindo as palavras de vida eterna, presenciando curas milagrosas, na certeza de andar perpetuamente na luz do caminho certeiro e anunciando o seu nome onde quer que você fosse. Ah... Você sempre saberia o que fazer e o que dizer, seu cajado em todo tempo me corrigiria e me protegeria. A sua paz me governaria.

Estou cônscio de que você declarou que estaria com os seus até a consumação dos séculos. Mas, embora saiba que você está aqui, há ainda algo que falta a mim, porquanto me vejo muitas vezes perdido, sendo negligente na sua busca, tropeçando em decisões erradas, golpeado pela minha natureza pecaminosa, enfermo, amedrontado, atormentado por um ego que custa a morrer.

Decidi, pois, escrever a você na esperança de que sua promessa se cumpra para mim do mesmo modo que foi para os seus primeiros discípulos, a saber, que a sua proximidade me seja tão real, tão intensamente real que eu jamais sinta a sua falta.

Estenda, Mestre, mais uma vez, eu imploro, a sua mão a mim e conceda graciosamente que eu desfrute da sua companhia viva, como se meus olhos contemplassem a sua face e meus ouvidos, a sua voz.

Seu servo.

Um comentário:

beto disse...

Bonito mesmo, WO