3 de agosto de 2016

Fuja e ajude outros a fugir

Uma única faculdade nos foi dada, de resto, nada mais. Nem um til, nem uma vírgula. A cidade não está em nossas mãos, nem comunidade, província, bairro, nação, nada. Muito menos o mundo, o que dirá a galáxia?

O poder de controle é uma ilusão. Nada faz sentido. Defender estandartes é fútil. Lutar em guerras humanas, sacrifício tolo. Lançar-se em grandes projetos, grande paixões, perda de tempo. Salvar o planeta, vazio. Tudo é vão. Nada está sob nosso domínio. Nada, a não ser um único arbítrio: os pés — estes sim estão em nossas mãos. Pois fuja, meu bom amigo, corra, leve seus pés para longe e auxilie seus pares no Caminho. Só nos resta isso e nada mais.

Nasceu na miséria semiárida? Fuja para o solo garoante. No oriente opressor? Vá para o ocidente austral. No sul desafortunado? Corra para a terra setentrional. No norte gélido? Parta para o oriente de Merlion. E sobretudo: nasceu no Reino das Trevas? Fuja para o Reino da Luz. Na travessia, não peleje por causa alguma a não ser a própria fuga sua e dos outros todos que puder ajudar a fugir.

2 comentários:

Anônimo disse...

Grande W.O., entre o estoico e nihilista?
Abração, meu amigo!

Eduardo Willians Bandeira de Melo disse...

Hum, não estou propondo nihilismo.

Abs