5 de dezembro de 2016

O pensamento econômico liberal é contra-intuitivo. Acho difícil que ele se propague, é impopular. Eu mesmo, durante grande parte da minha vida, raciocinava de acordo com o que me parecia óbvio, que o governo deveria prover grandes serviços e ser dono de grandes empresas.

Afinal quem iria querer pagar por alguma coisa quando se imagina que ela poderia ser dada gratuitamente pelo governo? Mas e a corrupção nos serviços públicos? A culpa é dos que não souberam votar por causa da injustiça social, basta criar mais leis. Isso causa problemas urbanos? Então, mais obras, mais regulações, mais restrições individuais. Desigualdade social elevada? Temos que criar mais impostos para que os ricos fiquem pobres também. Há muitos pobres? Eles precisam de mais serviços públicos de "qualidade". Há muito desemprego e informalidade? Precisamos que o governo empregue mais gente. A economia não cresce? É necessário estímulos com obras públicas faraônicas. O governo não tem dinheiro? Pegue emprestado. A dívida está alta? Dê o calote nos credores rentistas. Ninguém mais empresta para o governo? Imprima dinheiro! Inflação? Criem leis para congelar os preços. Crise de abastecimento, falta remédio e comida? A culpa é dos gananciosos empresários, devemos tomar tudo deles e entregar para o bondoso governante e seus comparsas.

2 comentários:

Anônimo disse...

E vc acha mesmo que é o pensamento "liberal-conservador" que é contraintuitivo?

Essas "soluções" em que pensamos os não-iniciados já foram refutadas a séculos. O problema é não estudamos o suficiente... Ao menos, eu não. Tudo é visto pelo prisma do direito do cidadão. Educação? O estado paga. O pai nem sabe o que filho faz na escola. Saúde? O estado paga. Transe à vontade, consuma bebidas, coma como um glutão, consuma drogas, mude de sexo. O estado paga tudo. Se tatuou? O estado tira a tatuagem. Quer viagra? O estado paga (sério, já peguei processo pedindo viagra e o parecer do mp foi favorável e o juiz concedeu o viagra). Precisa de advogado? O estado paga.
Será que é mesmo tão difícil entender a razão de crises?

Eduardo Willians Bandeira de Melo disse...

Pois é.