12 de abril de 2017

Keynesianismo e Desenvolvimentismo são a mesma coisa?

Não.

Produzir desenvolvimento num país pobre não era o que pretendiam as ideias de John Maynard Keynes, e sim combater crises econômicas. Para o lorde inglês, quando houvesse recessão, isto é, o capitalismo sofresse um ciclo de baixa atividade econômica, o governante deveria tomar dinheiro emprestado e gastar, não importando em que, a fim de gerar efeitos anticíclicos. Passada a crise, o governo então economizaria e pagaria as dívidas. Veja-se que isso é tenuemente distinto da concepção de levar o progresso para o "terceiro mundo". Sem mencionar que João Queines tinha um público bem definido: o mundo euro-americano, ou seja, países que já eram ricos.

Já o Desenvolvimentismo é uma doutrina voltada para os governos

latino-americanos, que foi sedimentada pela CEPAL, e tem em Celso Furtado o possível maior representante brasileiro. Prega que o crescimento deveria ser induzido pelo governo através de regulações e grandes "investimentos" em infraestrutura, mesmo que a base de empréstimos. Paulo Roberto de Almeida, diplomata e economista, chama essa ideia de "keynesianismo de botequim": enquanto o economista britânico falava numa medida temporária para conter uma crise, o furtadismo fala em desenvolvimento por meio da gastança. (Isso, aliás, é tudo que os políticos mais querem: torrar dinheiro alheio, comprar sem pagar.)

E como diz o provérbio brasileiro, juntou a fome com a vontade de comer. De fato, gastar mais do que se arrecada é a tradução de grande parte da história nacional, desde a proclamação da república. Resultado: nunca saímos do zero a zero. Pior, recentemente tomamos 7 a 1 no PIB.


O articulista John Tamny, com razão, chama atenção para o fato de que as obras da Copa e das Olimpíadas deveriam ter, segundo os keynesianos, produzido uma solução anticíclica, trazendo um novo crescimento ao PIB. Os dispêndios desses "investimentos" somam — pelo menos  R$ 66 bilhões em infraestrutura, mas vejam só, além do endividamento, herdamos a maior recessão em décadas. Só se produziram efeitos pró-cíclicos e um enorme retrocesso econômico  precisamente o inverso do que postulava Keynes e Furtado. Vivi o suficiente para ver o estrago que isso causou, todos nós ficamos mais pobresKeynes nos keimou. Furtado nos furtou.

PS. Vou confessar uma grande tolice minha, eu comemorei no dia em que o país ganhou o "direito" de sediar as Olimpíadas. E fui contra os que criticavam as despesas com a Copa. Como keynesiano, acreditava que aqueles gastos iriam redundar em crescimento econômico. Faltava-me ler o que dizia o economo-liberalismo, pois o que aconteceu foi que o governo atraiu capital da iniciativa privada e jogou no ralo, sem produzir riqueza para a nação. Cada vez que ele toma emprestado, tira dinheiro do mercado produtivo e o transforma em improdutivo, já que os investidores param de financiar o empreendedorismo e correm emprestar para o governo.

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