14 maio 2018

O outro lado do vira-latismo brasileiro

Dizem que sofremos do complexo de vira-lata. Esse fenômeno, de fato, parece não se dar em outros países pobres, ou, ao menos, não de maneira tão acentuada, quer nos vizinhos latino-americanos quer na África. Ao que se pode constatar, trata-se realmente de um brasileirismo.

Há, contudo, algo de contraintuitivo. Se por um lado, nosso sentimento de inferioridade é apontado como possível fonte do nosso fracasso, de outro, está talvez ajudando a pavimentar a estrada para nossa redenção.


A pergunta é: aonde queremos chegar? Seria atingir o desenvolvimento, alcançar os níveis sócio-econômicos do chamado primeiro mundo? Mas pense por um momento: para que desejamos isso? O que isso quer dizer? E quando tivermos chegado a esse lugar mágico, o que virá então?

Não se deixe enganar, a paz que todo homem almeja não se alcança por meio das estruturas político-econômicas. Um país não passa de um território com um pedaço de pano hasteado. Esta nação é apenas um instrumento e não um fim em si mesmo. Porque o Juiz Supremo fez todos os povos para que povoassem toda a terra, tendo determinado de antemão os tempos e os lugares exatos em que deveriam habitar. Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora ele não esteja longe de cada um de nós (At 17.26,27). E aqueles que nele esperam vivem como estrangeiros e peregrinos na terra. Esperam uma pátria melhor, isto é, a pátria celestial. Por essa razão Deus não se envergonha de ser chamado o Deus deles, pois preparou uma cidade para esses (Hb 11.16).

Portanto, meus compatriotas, sejamos vira-latas. Quem sabe rompendo nosso tolo orgulho territorial, aceitemos humildemente o socorro do Alto, e, ao final, nos tornemos cidadãos de uma pátria incomparavelmente melhor. E não somente nós brasileiros, mas todos os povos, línguas e nações que se rebaixarem e admitirem que não podem salvar a si mesmos.

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14 maio 2018

O outro lado do vira-latismo brasileiro

Dizem que sofremos do complexo de vira-lata. Esse fenômeno, de fato, parece não se dar em outros países pobres, ou, ao menos, não de maneira tão acentuada, quer nos vizinhos latino-americanos quer na África. Ao que se pode constatar, trata-se realmente de um brasileirismo.

Há, contudo, algo de contraintuitivo. Se por um lado, nosso sentimento de inferioridade é apontado como possível fonte do nosso fracasso, de outro, está talvez ajudando a pavimentar a estrada para nossa redenção.


A pergunta é: aonde queremos chegar? Seria atingir o desenvolvimento, alcançar os níveis sócio-econômicos do chamado primeiro mundo? Mas pense por um momento: para que desejamos isso? O que isso quer dizer? E quando tivermos chegado a esse lugar mágico, o que virá então?

Não se deixe enganar, a paz que todo homem almeja não se alcança por meio das estruturas político-econômicas. Um país não passa de um território com um pedaço de pano hasteado. Esta nação é apenas um instrumento e não um fim em si mesmo. Porque o Juiz Supremo fez todos os povos para que povoassem toda a terra, tendo determinado de antemão os tempos e os lugares exatos em que deveriam habitar. Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora ele não esteja longe de cada um de nós (At 17.26,27). E aqueles que nele esperam vivem como estrangeiros e peregrinos na terra. Esperam uma pátria melhor, isto é, a pátria celestial. Por essa razão Deus não se envergonha de ser chamado o Deus deles, pois preparou uma cidade para esses (Hb 11.16).

Portanto, meus compatriotas, sejamos vira-latas. Quem sabe rompendo nosso tolo orgulho territorial, aceitemos humildemente o socorro do Alto, e, ao final, nos tornemos cidadãos de uma pátria incomparavelmente melhor. E não somente nós brasileiros, mas todos os povos, línguas e nações que se rebaixarem e admitirem que não podem salvar a si mesmos.

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